Sobrevoo conta 185 baleias-francas entre SC e RS; maior concentração ficou em Imbituba

Levantamento aéreo do ProFRANCA, feito em 25 e 26 de setembro, registrou 89 fêmeas com filhotes; enseadas da Ribanceira e de Ibiraquera concentraram os avistamentos
Baleia-franca com parte do corpo fora d’água perto da arrebentação, vista de uma praia com vegetação de restinga
Foto: Geraldo D'Alascio / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O litoral catarinense vive o auge da temporada das baleias-francas. Um sobrevoo científico feito nos dias 25 e 26 de setembro contou 185 animais entre o litoral de Florianópolis e a cidade de Rio Grande (RS), em cerca de 700 quilômetros de costa. Os números foram divulgados na terça-feira (29) pelo ProFRANCA, projeto do Instituto Australis feito em parceria com a Petrobras.

Segundo o instituto, entre os animais estavam 89 fêmeas acompanhadas de filhotes e sete adultos sem filhote. A maior concentração apareceu na enseada da Ribanceira e Ibiraquera, em Imbituba, na parte central da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca. Os pesquisadores, porém, destacaram uma distribuição mais espalhada que o habitual, sem grandes aglomerações: houve registros ao longo de todo o trajeto, incluindo 21 baleias já no litoral gaúcho.

O diretor de projeto do ProFRANCA, Eduardo Renault, avaliou que esses animais mais ao sul, somados aos vistos no sul catarinense, podem já estar a caminho das áreas de alimentação.

Setembro confirmado como pico

Este foi o terceiro sobrevoo do ano, todos feitos em parceria com a SCPAR Porto de Imbituba. Em julho, a equipe contou 59 baleias; em agosto, 173. Para o instituto, a comparação reforça setembro como o mês de maior presença da espécie na costa brasileira.

A temporada de 2026 também teve particularidades. O instituto relata a chegada de baleias-francas mais antecipada desde o início das pesquisas, há mais de 30 anos, num ano que o projeto associa ao que chama de “Super El Niño”. A equipe reencontrou animais já catalogados, notou mais fêmeas voltando acompanhadas de juvenis e viu adultos solitários numa época em que isso não vinha sendo registrado. A diretora de pesquisa, Karina Groch, cita ainda uma rara fêmea semi-albina que continua na região com o filhote.

Cada baleia é identificada pelas marcas naturais da cabeça, que funcionam como impressão digital. O catálogo brasileiro de fotoidentificação mantido pelo projeto reúne mais de 1.250 animais.

O que isso significa para quem vai ao litoral

Para moradores e visitantes de Imbituba, Garopaba e arredores, o levantamento indica presença expressiva de baleias perto da costa nestas semanas, sobretudo nas enseadas citadas. A APA da Baleia Franca é uma unidade de conservação federal, gerida pelo ICMBio, com sede administrativa em Imbituba.

Antes de planejar um passeio, confira as regras e orientações atuais com o ICMBio e com os projetos de monitoramento. Esta reportagem não traz calendário nem regras para observação embarcada, porque as fontes consultadas não tratam desse tema.